Uma Questão de Vinil
abril 27, 2018Don't get me wrong... Eu adoro o Spotify e a liberdade que me dá de passar músicas à frente, de meter a minha preferida primeiro e de misturar géneros e artistas. Geralmente, é assim que todos consumimos música e não há nada de errado com isso.
Não acho de todo que o vinil e os ficheiros mp3/streams sejam mutuamente exclusivos - boa sorte para aqueles que tentarem ouvir um vinil num autocarro ou enquanto andam de um lado para o outro. São apenas formas diferentes de ouvir música.
Quando ligo a minha aparelhagem há um compromisso: ouvir na integra, sem pausas e sem passar à frente. Basicamente, ouvir o álbum pela ordem que o artista quis que ouvíssemos. Algo como ler um livro - uma professora de português defendia que podíamos ler um livro na ordem que desejássemos, mas quantos de vocês já começaram um livro pelo fim?
E admito, está completamente na moda ter discos. É uma tendência. Como todas as tendências nostálgicas que surgiram - escreve a pessoa com uma máquina de escrever na secretária. Mas não acho que por ser tendência seja despropositada. Colocar um disco e pousar a agulha é diferente de um click. O processo faz com que a música que ouvimos seja ainda mais nossa do que já é quando carregamos no play - porque toda a arte pertence (um pouco) à sua audiência.
Eis a desvantagem: o vinil é caro. Faço uma festa quando encontro álbuns mais baratos que 20€. É possível que esteja à procura nos sítios errados, mas sou relativamente novata neste assunto. Diria que é importante descobrirem as lojas de discos "escondidas" por aí. Pode ser que tenham a sorte de encontrar um dos vossos álbuns preferidos a um preço inacreditável - como o Rumours dos Fleetwood Mac, a 5€, na Carbono.
Tive a sorte de "herdar" uma vasta coleção de discos que ainda não acabei de explorar - obrigada, pai e obrigada, tio - e de receber/encontrar discos que apelam aos meus gostos. Ainda é um trabalho em progresso e será sempre, mas não é um mau grupo de discos - if i do say so myself. Então como partilhar é importante, fiquem com seis discos da minha coleção que eu considero essenciais.
The Queen is Dead, The Smiths
Se houve álbum que fiquei feliz por herdar, foi este. A contradição de temas algo deprimentes e ritmos eléctricos sempre me cativou. Sim, o Morrissey é problemático, mas caramba este álbum é tão bom. Se corro o risco de parecer que estou presa no (500) Days of Summer por apreciar tanto este álbum... é um risco que estou disposta a correr *canta There's a Light That Never Goes Out no elevador*
Rumours, Fleetwood Mac
A.K.A a minha melhor descoberta. A delicadeza de algumas músicas, dá lugar à raiva de outras e essa por sua vez dá lugar a dor. É quase um milagre que um álbum criado no meio de um conjunto de conflitos internos seja o fenómeno que é - duas separações e um caso extraconjugal aparentemente dão bom material para música.
Wild World, Bastille
Sou capaz de já ter mencionado estes rapazes uma ou duas vezes (talvez três) e acho que nunca os vou parar de mencionar. O seu segundo álbum é um bom comentário aos últimos três anos e identifico-me com os temas que eles escolhem abordar e com a forma como eles os abordam. Eu não me canso deste álbum. E não me canso dos Bastille. Tragam-me o terceiro álbum, agora! Pontos extra pelas capas lindas.
Wish You Were Here, Pink Floyd
Já ouviram um álbum que parece ter sido pensado do início ao fim? Em que até as transições fazem sentido? Um álbum com uma atmosfera e ecossistema próprios? Porque eu já. Wish You Were Here é uma viagem desde o momento em que o tiramos da capa - linda, linda, linda - até ao momento em que toca a última nota.
Bella Donna, Stevie Nicks
A Stevie escreve feitiços. Cada poema, cada música é a sua própria forma de magia. Se deixarem, ela toca na vossa alma. Ela é genuinamente o tipo de mulher que vos assombra da melhor maneira possível. Este é o álbum de estreia dela e é absurdamente bom.
Born In The U.S.A, Bruce Springsteen
Tive o privilégio de ver este senhor em concerto e, até ao dia de hoje, continuo a dizer que foi o melhor concerto a que assisti. A energia e o carisma de Springsteen são impressionantes. Então imaginem o meu espanto, quando anos depois, encontro esta capa icónica entre os discos do meu pai. É tão elétrico como a experiência de o ver ao vivo. É como um boost de energia - não substitui o café, mas quase.
Um dia, escrevo sobre os discos que quero na minha coleção. Por enquanto, fiquem com estes e, se quiserem, partilhem as vossas opiniões sobre estes álbuns, sobre o vinil no geral e sugiram álbuns why not?


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