Tudo o que tenho a dizer sobre a Crise no Sporting

abril 11, 2018


Caros, Sportinguistas,
Como todos os filmes, “A Crise no Sporting” estreou na quinta-feira. Uma exibição menos boa da equipa numa competição europeia, leva a um post no Facebook, esse que por sua vez leva a 19 posts no Instagram. Suspensões e especulações seguem-se. Entretanto, uma vitória que teria sido o fim perfeito… não fossem mais posts no Facebook e (tentativas de) demonstrações de poder.

A sede por um culpado, por um vilão, é enorme. É mais simples se as coisas estiverem a preto e branco. Se existir um lado bom e um lado mau.  Faz parte da natureza procurar essa distinção. Contudo, nesta instância parece-me que a distinção não é clara. Para uns o vilão é Bruno de Carvalho e para outros é o coletivo dos jogadores.

Para mim, a resposta não é tão simples. Parece-me que óbvio que qualquer que seja o vilão que escolham, a vítima é a entidade que todos nós escolhemos apoiar. Ninguém é dono da razão e ninguém é completamente inocente. Dito isso, há diferentes graus de culpa.

Comecemos por aquele que é, naturalmente, o maior protagonista: Bruno de Carvalho. A sua grande falha é não entender as diferenças entre os dois papéis que tem a conciliar – adepto e presidente. Embora perceba e partilhe da sua frustração, o que espero de um presidente não é que dê eco à mesma. Parece que BdC continua a crer provar que é um de nós, algo que já sabemos. Mas agora não precisamos de um amigo, mas sim, de um líder. De alguém que nos diga que está tudo bem. Mesmo se não for inteiramente verdade.

As palavras dos adeptos não têm o mesmo peso que as palavras de um presidente. E uma ação causa uma reação na forma de dezanove posts no Instagram. E o enredo complica-se. É fácil simpatizar com a causa dos jogadores. O seu profissionalismo foi posto em causa - mais que uma vez - e quiseram defender-se. Estavam no seu direito, o presidente abriu o precedente. Contudo, não estão isentos de culpa. Porque a união dos jogadores contra o presidente expõe a fragilidade do clube. Porque convidou terceiros a olhar para ela e fazer dela o que quisessem.

E mais uma vez… porque uma ação leva a uma reação: um novo post. Uma ferida aberta exposta ao mundo. E um convite para que lhe atirem sal. Foram dias de especulação e capítulos distorcidos. Quando a família se reuniu em Alvalade era claro que o vilão não estava definido. Uns culpam uns. Uns culpam outro. E eu estou no meio a olhar para o meu clube em fragmentos. Ninguém parece parar para pensar na única coisa que importa: o Sporting.

O objetivo era vencer o jogo e foi cumprido. Mas o filme continua. Porque mesmo aqueles com quem contamos para defenderem o clube preferem convidar os restantes a atirar sal à nossa ferida. Porque ainda há mãos cheias de sal à espera desses convites. Foi mau quando o presidente o fez, foi mau quando os jogadores o fizeram, foi pior quando o presidente o voltou a fazer e quando não parecia ficar pior voltam a fazê-lo. Porque, e repito, ninguém parece parar para pensar na única coisa que importa: o Sporting.

Não sei até que ponto concordarão com o meu ponto de vista. Não espero que concordem. Porque sei e compreendo que seja mais fácil culpar só uma das partes. Porque pareço estar a defender um homem que muitos contestam e culpar outros que nos olhos de muitos são vítimas. Mas a única vítima é o Sporting. E a minha mensagem para vocês, meus caros sportinguistas, é que deixem de dividir o nosso clube em pequenos fragmentos que nunca serão capazes de refletir a dimensão do mesmo. Não precisamos de mostrar aos outros o quão frágil estamos. Não precisamos de um vilão. Precisamos de nos unir para defender o Sporting. Esqueçam as personagens deste filme. Concentrem-se no Sporting. Nos jogos que temos para jogar.

Os jogadores deram-nos provas de que estão empenhados e unidos para o bem do Sporting. E vão lutar para que os resultados cheguem. A situação do presidente é mais delicada. É complicado porque efetivamente ele dá início ao guião. É complicado porque os dedos apontam para ele. É complicado porque, no meio do frenesim mediático, os sportinguistas a quem dão voz não o apoiam – para variar. Espero que Bruno mostre que consegue conciliar o adepto e o presidente. Espero que deixe de usar o Facebook para exprimir as suas frustrações. Espero que ponha o seu ego de lado porque vão continuar a “atacá-lo” e a ofendê-lo e a não mostrar apoio e a forma como ele lida com isso vai definir a sua continuidade no Sporting – talvez deva pedir desculpa e algumas dicas ao Rui Patrício.... Espero que cresça como achei que ia crescer quando votei nele pela segunda vez. E espero tudo isso porque as alternativas a BdC não me dão esperança, mas uma sensação de retrocesso ao conformismo do passado. E eu não sinto nostalgia por esses tempos. Mas também não sentia nostalgia por estas crises e aqui estamos nós outra vez.

Os que falam com desdém dos jogadores, têm de ter consciência de que eles dão as pernas e o corpo pelo nosso clube. E que se temos os pontos que temos e estamos nas competições que estamos, é porque eles o fazem.

Quem fala mal do presidente, tem de ter em consideração que este presidente não é protegido pelos seus e muito menos pela comunicação social. É uma figura controversa, mas a forma intensa com que sente o Sporting é inegável e devemos-lhe muito.

E então é aqui que estamos. Quem é mais culpado? Quem começa o incêndio? Quem lhe mete lenha? Será que tudo isto teria acontecido não fosse a reação dos jogadores? Mas a reação só existe porque houve primeiro uma ação. Quem é mais culpado? E isso interessa? Não! O que interessa é o Sporting e este está a sofrer com cada ciclo noticioso e com cada post.

Em conclusão: não há vilões, há uma vítima. O Sporting não terá paz se nós não a cultivarmos. E escolher um lado… é cultivar a instabilidade. Se nós, enquanto sportinguistas, não formos capazes de olhar objetivamente para esta situação, este filme terá o desfecho que os outros esperam que tenha e nós teremos de reconstruir um clube a partir de fragmentos. Outra vez. Precisamos de dizer que está tudo bem, mesmo se não for inteiramente verdade. E depois… com a porta fechada: resolva-se a situação. Mas resolva-se de uma vez por todas, com os olhos no Sporting e não em egos e orgulhos feridos. 

Para os que não querem saber do Sporting ou de futebol no geral, a programação normal voltará em breve, prometo!

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