O Melodrama de Lorde
maio 30, 2018![]() |
| wild and flourescent, come home to my heart - mas isso seria roubar as palavras dela |
Agora,
Então, a Lorde lançou o seu segundo álbum e não sabem o que fazer sem ser amar todos os pedaços do mesmo? Eu também não. A única pessoa que posso culpar é Ella Yelich-O'Connor.
Há algo na arte da Ella que nos faz embarcar numa viagem. E é impossível discutir Melodrama, sem discutir o seu predecessor: Pure Heroine. Quando o ouvi pela primeira vez, tudo soava verdadeiro. O medo de crescer, as maneiras teatrais dos adolescentes, a vontade de ser cool, o distanciamento de "ninguém nos percebe como nós nos percebemos". Como se alguém tivesse imortalizado a minha realidade em sons incríveis e versos brilhantes.
Lorde torna a sua realidade em algo grandioso, quase mítico e sagrado. Mas consegue tornar a narrativa dela em algo que partilhamos. Ouvimos cada música e recordamos as nossas experiências e as nossas realidades coexistem com a sua. É um álbum , simultaneamente, pessoal e universal. E é esse o maior feito do álbum: ser tão dela e tão nosso.
Nada é comum em Pure Heroine, mas tudo é. São músicas de uma rapariga que escreve sobre quem é, sem se colocar num pedestal. Uma rapariga que consegue ser incrivelmente cool no meio da sua fragilidade, força, medos, crenças e experiências. Como já devem ter adivinhado por esta altura, adorei-a.
Apesar do seu medo de crescer, Ella, inevitavelmente, fê-lo - e eu também. Este álbum é o reflexo desse crescimento. A adolescente que fingia não se preocupar, torna-se numa jovem adulta que nos mostra todas as suas emoções e o quanto se preocupa.
Nada é comum em Pure Heroine, mas tudo é. São músicas de uma rapariga que escreve sobre quem é, sem se colocar num pedestal. Uma rapariga que consegue ser incrivelmente cool no meio da sua fragilidade, força, medos, crenças e experiências. Como já devem ter adivinhado por esta altura, adorei-a.
Apesar do seu medo de crescer, Ella, inevitavelmente, fê-lo - e eu também. Este álbum é o reflexo desse crescimento. A adolescente que fingia não se preocupar, torna-se numa jovem adulta que nos mostra todas as suas emoções e o quanto se preocupa.
Melodrama foi concebido como se fosse uma house party e é uma. Para meter de forma pretenciosa poética: Lorde segura a nossa mão e guia-nos pela festa. Observamos a euforia na pista de dança, a dor escondida num quarto, os copos de champanhe que ficaram por limpar. Quando chegamos ao fim, Ella deixa-nos com um sorriso. Mas ao olhar para toda a experiência... não consegui decidir se tinha assistido a um final feliz. Então voltei. E voltei. E voltei. E voltei.
Tudo em Melodrama é complexo. A euforia e a dor estiveram na mesma sala durante toda a festa. A vulnerabilidade de Lorde e a sua força estão de mãos dadas a um canto. No meio de todo o álcool estava uma jovem adulta a tentar perceber o seu lugar no mundo. E torna-se muito evidente que o Melodrama de Lorde... é o nosso Melodrama, que mais uma vez, as suas experiências e as suas emoções são como as nossas. Percebemos que não estamos sozinhos e voltamos a coexistir dentro das onze músicas deste álbum.
Drama de situações violentas e exageradas - a definição de Melodrama. É isso que Lorde nos dá: a sua experiência e as suas emoções. Com toda a violência com que as sentiu. E com o distanciamento suficiente para nos dizer que foi um exagero, mas que foi real. E é seguro dizer que valeu a pena esperar quatro anos por todo o Melodrama.
Drama de situações violentas e exageradas - a definição de Melodrama. É isso que Lorde nos dá: a sua experiência e as suas emoções. Com toda a violência com que as sentiu. E com o distanciamento suficiente para nos dizer que foi um exagero, mas que foi real. E é seguro dizer que valeu a pena esperar quatro anos por todo o Melodrama.
Desde que escrevi isso, tenho vindo a acompanhar as tours da Ella - obrigado, redes sociais - e a minha admiração continua a crescer. A maneira como torna um espectáculo num momento íntimo e especial é fascinante. Muitos juram que é magia. Passei meses a alimentar esperanças de ter a sorte de ver Lorde ao vivo e embora ela venha ao NOS Primavera Sound, não posso ir vê-la. Padeço de inveja de todos os que vão assistir ao seu melodrama ao vivo e, ao mesmo tempo, sinto-me feliz por cada uma das almas que serão agraciadas por Ella. Pois tudo o que ela representa e tudo o que ela faz é, realmente, magia - ou o mais perto que conseguiremos chegar de tal.
Assistindo ou não a um concerto dela, teremos sempre a sua música. Cinco anos depois, Pure Heroine continua a ser um dos meus go to álbuns.
PS:. consegui escrever a palavra Melodrama dez vezes neste post. Onze, com esta.

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