Sobre estilo

junho 06, 2018

and i can't dress, they're gonna crucify me
Segundo a minha pesquisa, estilo engloba muito mais do que aquilo que vestimos. Desde a maneira como falamos e nos movemos à maneira que agimos, tudo é estilo e a roupa que escolhemos usar é uma reflexão daquilo que somos no interior. Mas apetece-me falar de moda, por isso... falemos de roupa.

Moda sempre foi um assunto que me interessou, mas ao mesmo tempo, um assunto que nunca senti que podia discutir porque me faltava um pré-requisito: uma definição clara do meu estilo. A todos aqueles que sabem definir o vosso estilo: teach me your ways. A todos aqueles que conhecem tão bem o seu estilo que conseguem juntar um capsule wardrobe: vocês são fantásticos e admiro-vos. 

Eis a melhor maneira que encontrei para definir o meu estilo: as calças de ganga pelas quais estou obcecada (at the time), a primeira camisola que aparecer (adequada às condições climáticas) e os meus allstars pretos - que podiam estar colados aos meus pés a esta altura. Sou a primeira a admitir que tenho demasiada roupa no meu armário e que sou culpada de negligenciar metade, não por não gostar dela, mas porque me esqueço que existe e é mais simples vestir o uniforme que descrevi no princípio do parágrafo.
Interrompemos este post para prestar homenagem a todas as minhas peças de roupa negligenciadas:
Os pares de calças que abraçam as minhas pernas em vez de as esconderem.
As calças de fato que me fazem parecer uma pequena adulta.
Qualquer camisola mais... form-fitting.
Os vestidos: dos mais compridos aos mais curtos.
As saias: ler alínea acima.
Os sapatos que não são allstars.
Os acessórios que achei que eram boa ideia e nunca mais usei.
Os casacos que deixo no armário em prol dos dois únicos casacos que gosto de usar a toda a hora.

Ao olhar para essa lista, é relativamente fácil para mim perceber que gosto de ficar longe de tudo o que é... digamos: caracteristicamente feminino. Não por não estar confortável com a minha feminilidade, mas porque a maior parte das vezes gosto de não ter tecido a abraçar a minha figura,  gosto de ter bolsos e gosto da despreocupação de um estilo menos feminino - gosto de me baixar sem ter de me preocupar se estou ou não a mostrar a minha roupa interior, processem-me. A ideia de um uniforme vem dessa busca por essa despreocupação e conforto. Costumava dizer-se que os homens vestiam as primeiras coisas que aparecessem e saiam de casa e eu sempre quis isso... então criei o meu próprio uniforme.

E funciona. A sério. Funciona. É prático ter sempre uma vaga ideia do que vestir. E se não se preocuparem muito com comentários dos mais próximos sobre os vossos adorados allstars ou o vosso par de calças funcionais... melhor ainda. Contudo, - porque há sempre um contudo -  para além de negligenciarem roupa... cada vez que se desviarem do uniforme será visto como uma ocasião especial por aqueles que vos rodeiam.

A última vez que usei um vestido recebi cerca de 10 comentários, o que não é necessariamente mau, mas estou habituada a que as minhas escolhas no departamento da moda passem despercebidas pois não variam muito. Dentro da minha zona de conforto estou bastante alheia a opiniões, visto o que gosto e aquilo a que estou habituada e fim de história. Mas fora dessa zona... sou algo mais susceptível a essas mesmas opiniões então fico dentro dos limites daquela zona.

É possível que na minha busca por algo confortável e prático tenha definido inadvertidamente o meu estilo, mas não estou pronta para o reconhecer. Acho que está na altura de algumas alterações no uniforme. Embora não faça promessas, vou tentar! Porque devo isso à roupa que negligencio, porque devo isso a mim mesma e, francamente, porque devia estar confortável em todas as zonas.

Em conclusão: talvez não esteja pronta para definir o meu estilo, talvez isso não seja algo mau e talvez nunca tenha de o fazer.

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