Dia Internacional da Mulher

março 08, 2019

Hoje, é Dia Internacional da Mulher. A existência deste é válida e gostava que parassem de questionar isso. Termos um dia para recordar todas as conquistas sociais, políticas e económicas, não é confirmar que somos o género mais fraco. Nós não precisamos deste dia. Ele é o culminar de várias conquistas importantes feitas por mulheres. 
Dito isto, as mulheres - e isto incluí todos os que se identificam como tal - e os seus direitos não se resumem a um dia. Publicarem um post, fazerem promoções ou darem-nos flores na rua é bonito... Se estiverem dispostos a reconhecerem as nossas lutas e fazerem o máximo para nos ajudar a acabar com elas - mesmo se isso significar saírem da nossa frente, especialmente se significar isso!

Temo que quando o relógio der a meia noite, muitos vão esfregar as mão e dizer "este ano já está" e nós continuaremos aqui com salários inferiores, menos oportunidades, rotuladas de histéricas e fracas por não termos medo de exprimir as nossas emoções, esmagadas pelo peso de padrões de beleza absurdos, assediadas porque ainda nos vêm como propriedade pública e assassinadas porque a nossa sociedade parece não querer assegurar a nossa segurança. Mas claro "eu não sou sexista, porque vos desejei um Feliz Dia da Mulher!" 

Embora seja simpático oferecerem-nos flores, sobremesas ou dois nigiris - mediante compra igual/superior a 9.95€ - nós nunca pedimos tal coisa. Embora seja agradável receber 20% a 50% de desconto em livros e cachecóis do meu clube num agradável cor-de-rosa, nós nunca pedimos tal coisa. Lembrem-se que foram vocês que escolheram oferecer-nos tudo isso. Para reconhecer a nossa luta, para recompensar-nos pela nossa luta ou, o mais provável, para capitalizarem essa luta. No fim do dia, lembrem-se que para nós essas ofertas são nada mais que uma cortesia, que nós ainda temos merda para resolver e que se vocês não estão dispostos a ser aliados podem guardar essas cortesias ao lado da vossa hipocrisia. 

É bom termos um dia em que o holofote é virado na nossa direção. O existência de apenas um holofote e a má gerência do mesmo... não tão bom. Reparem, defender os nossos direitos não é por em causa os direitos de ninguém e é chato ter de repetir isso cada vez que se fala nestas coisas. Como se fosse nossa responsabilidade acalmar as inseguranças de meio mundo antes de termos oportunidade de discutirmos aquilo que realmente interessa. Não queremos o holofote só para nós, queremos partilhá-lo como deveria ser partilhado porque, tal como tinha dito:  as mulheres e os seus direitos não se resumem a um dia. 

Nós não somos um dia. Nós temos um dia. E isso não faz do nosso género algo inferior. Temos um dia porque tivemos de conquistar os nossos direitos e porque é importante celebrar conquistas desta magnitude. E é triste que mais uma vez esteja a acalmar inseguranças. 

O dia, inevitavelmente, chegará ao fim. Os posts vão afundar-se nos feeds, as flores vão murchar e as promoções vão caducar. E quando as cortesias se dissiparem, veremos quão genuínas foram. Os aliados vão continuar a sê-lo. Alguns, talvez tenham escolhido aliar-se. Outros farão exactamente aquilo que se habituaram a fazer: esfregar as mãos e "este ano já está".  E nós continuaremos a lutar pelo que lutávamos ontem e lutaremos amanhã e todos os dias até o conquistarmos. Porque não somos e não estamos confinadas a um dia - da mesma maneira que não estamos confinadas a uma definição estereotipada de "mulher".

Corro o risco de não ser levada a sério porque este tópico me exalta, mas é triste andarmos ano após ano a dizer o mesmo e não vermos nenhuma mudança - ou muito pouca. Serei instável por sentir frustração? Por estar irritada por ainda ter de pedir "se faz favor" por direitos básicos e dizer "obrigada" quando fazem o mínimo possível? Alguma vez um homem faria estas perguntas?

É Dia Internacional da Mulher. Mas amanhã continuamos aqui. 

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