Feminism Feels

março 08, 2018

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Gostava de começar por me identificar enquanto feminista. Tenho, contudo, muito presente a noção de que sou uma feminista privilegiada!  E de que não sou a melhor feminista que posso ser... e que talvez até seja uma má feminista. Não me importo de assumir nenhuma dessas coisas - tal como não me importo de aprender e melhorar o meu feminismo. 

É intimidador falar sobre temas tão maiores que nós. Torna-se ainda mais intimidador quando o fazemos na internet. É deixar o nosso ponto de vista vulnerável a escrutínio de uma audiência mais vasta do que os ouvidos dos nossos amigos/familiares. Há muito tempo que queria escrever sobre feminismo e sobre a minha relação com o feminismo e if not now... when? Bear with me.

A norma diz-nos que as mulheres devem ser mais maturas. Exige-nos isso. Devemos ser o exemplo de classe e aguentar o que a vida nos atira como campeãs. E à mínima exibição de emoção somos instáveis e sensíveis. E, como tal, somos imediatamente excluídas da possibilidade de adquirir cargos de poder. And that is bullshit. E se não exibirmos nenhuma emoção... somos frias, masculinas, anti-natureza. You can't win!

Navegar num mundo em que temos de encontrar o equilíbrio entre o que é feminino e o que é masculino para termos sucesso é cansativo. Gostava de ter estado presente na reunião em que se decidiu que as mulheres eram o género mais fraco. E na consequente reunião em que se decidiram as características de cada género, onde alguém declarou as emoções humanas como sinónimo de fraqueza e, logo, algo do domínio feminino.

Gostava que mais pessoas se apercebessem do quão tóxico isto é. E não o é apenas para as mulheres. Reprimir as emoções de todos os indivíduos que se identificam como sendo do género masculino é incrivelmente tóxico. Acho que está na hora de ultrapassarmos o "os homens não choram". Porque vamos ser honestos... as emoções são humanas. Todos temos direito a elas.

As normas de género são apenas uma gota num oceano de assuntos com os quais o feminismo se preocupa. Nunca me pareceu certo dividir-mos características por género e descansarmos confortavelmente na ideia de que as nossas diferenças físicas se têm de traduzir em diferenças emocionais/racionais em que o género feminino saí sempre com o rótulo de inferior.

O que me leva finalmente à minha relação com o feminismo. Antes de conhecer a palavra feminismo, já tinha discussões sobre este tema. Todos os outros temas com que o feminismo se preocupa são assuntos que me dizem respeito, em que acredito e que quero defender e ver defendidos. Por isso, não tenho receio nenhum em dizer que sou feminista.

Muitos dizem que o significado de feminismo foi corrompido e que se tornou um movimento extremista e, como tal, sem valor. Bullshit. O feminismo defende o mesmo que sempre defendeu: igualdade entre géneros. E isso implica abolir o privilégio de que muitos têm usufruído. Algo que aposto que não agrada a muitos.

Neste Dia Internacional da Mulher, imaginem um mundo em que todos somos livres para explorar as nossas emoções e fazermos delas o que quiserem sem sermos associados ou dissociados a um género. Pensem no quão mais saudável seria. E se ainda não se identificam enquanto feministas, talvez esteja na altura de o fazerem.

Para além disso, vejam a Wonder Woman ou a segunda temporada de Jessica Jones que estreia hoje, na Netflix. Porque ver duas mulheres a darem cabo de vilões e normas de género é incrivelmente motivador, importante e apropriado para o dia. O simples facto de existirem duas heroínas femininas tão diferentes a serem representadas deixa-me feliz e espero que faça o mesmo por vocês. 


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