Is Sholfs Dead?

outubro 17, 2018


No outro dia, ouvi um episódio de um podcast de seu nome The Sunday Social.  "Is Blogging Dying?" servia de título e tema do episódio. A resposta curta? Não. Não há outra plataforma que nos dê tanto espaço para escrever e publicar conteúdo escrito. Isso sustem os blogs. A sua capacidade de dar um espaço no qual partilhar conteúdo mais pensado, mais "editorial" a todos aqueles que o desejem. 

Os blogs foram pioneiros ao oferecer ao utilizador controlo total do conteúdo. Na altura era novo e entusiasmante e isso levou à criação de muitos blogs. Na era das redes sociais, controlo é algo perfeitamente natural. Partilhamos o que queremos, quando queremos e da forma que queremos. O controlo tornou-se comum e a produção destes conteúdos simplificou-se. O Youtube permite-nos ter conversas unilaterais, quase sem filtro (para além de uma boa edição), com uma audiência. O Instagram permite-nos comunicar com imagens e vídeos. Plataformas como o Facebook e Twitter dão-nos mesmo a hipótese de partilhar conteúdo de outros na nossa página. A ideia do blog começou a ganhar pó e teias de aranha... Até ter começado a gerar rendimento.

Não estou de todo a dizer que todos os blogs que nascem na era digital surgem com o intuito de ganhar dinheiro, patrocínios ou fama. É importante que isso fique claro. Mas a verdade é que quando os espaços online começaram a render e se legitimaram com opção de vida para alguns, surgiu a "segunda onda" de blogs. E agora estamos saturados. Cada um a exigir um momento da limitada atenção das audiências. Pequenas vozes num grande coro a tentarem afirmar-se. É um espaço barulhento, mas dinâmico. E, de repente, tornou-se uma opção válida até para aqueles que têm grandes plataformas e audiências. E voltamos ao início: embora as outras redes sejam um óptimo meio para interagir com o público e praticar uma versão minimalista daquilo que fazemos nos blogs, embora o Youtube nos permita estar mais próximos das audiências (porque damos a cara e a voz), os blogs continuam a ser o único sítio onde partilhar conteúdo mais "editorial".

O sholfs não está morto. Porque os blogs não estão mortos. E porque eu também não - convém. Mas sofreu duas coisas: a exaustão que surge quando produzimos todo o conteúdo de raiz - ou devia dizer a preguiça, porque evito essa exaustão de forma activa? - e falta de validação. Essencialmente, é cansativo falar, especialmente quando estamos a falar para um vazio. Ou, em nome da verdade, quando somos parte de um coro que exige a atenção de um público que não tem tempo para tudo e todos.

Vamos fazer uma pequena pausa porque preciso que outra coisa fique clara neste post: eu não tenho este blog porque quero fama, patrocínios ou dinheiro. Seria absurdo dizer que não seria mais fácil manter o sholfs vivo se tivesse todas essas coisas. Mas esse nunca foi o intuito. Criei este espaço para mim, porque tenho coisas para dizer e nenhum outro sítio onde as dizer - experimentem analisar um álbum em conversa com os vossos amigos que não querem saber de música. Mas por muito que isso seja realidade, há sempre um pouco de nós mim que procura validação na forma de um like, um comentário ou uma partilha. Quando isso não existe e a vida acontece, torna-se fácil deixar de dar prioridade a este espaço. Afinal de contas: é algo feito de mim para mim. Ninguém perde sem ser eu Por outras palavras, não é o meu trabalho. É um hobby e acho que todos podem concordar que esses são somewhat dispensáveis quando o tempo aperta ou quando surgem outros assuntos.

Não publico nada desde Junho. Perdi conta aos posts que comecei a escrever e apaguei dos rascunhos no dia a seguir. Não conseguia escrever sobre nada. Questionava a minha escrita, a validade da minha opinião sobre o assunto e o assunto em si. Dei comigo na pior posição possível: criei uma coisa e não tinha motivação/energia para a suster. Se nem eu me conseguia motivar... quem o faria? - interrompemos a programação regular para agradecer aos amigos que tentaram: vocês são espectaculares.

Gosto de imaginar o universo de blogs que não conhecemos. Penso no conteúdo diverso e fantástico que anda perdido porque ninguém os destaca. Gosto de imaginar que quem o escreve, o faz por uma  necessidade "egoísta" de se exprimir. E que se motiva, quando mais ninguém o faz. E pode parecer parvo, mas sinto-me menos sozinha. Porque uma das melhor partes desta e qualquer plataforma, sim é estar disponível para todos e não só para aqueles que "podem". É inclusivo e não exclusivo. Todos queremos ter uma voz. Todos queremos partilhar. E os blogs mais do que qualquer outra plataforma dão-nos espaço para isso.

Da mesma maneira que a televisão não matou a estrela da rádio, a internet não matou a imprensa e os serviços de streaming não obliteraram os cinemas, as redes sociais não mataram os blogs. E a exaustão/preguiça/falta de motivação/falta de validação não mataram o/a/whatever sholfs - foi só um pequeno estado de coma com duração de quatro meses. E se estiver a falar sozinha? É melhor que silêncio. E só foi preciso um podcast para chegar a essa conclusão.

Então... não percam os próximos episódios, porque eu também não? 

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