Inevitavelmente Game of Thrones

junho 08, 2019

As probabilidades de já terem lido um post sobre a última temporada de Game of Thrones é elevada. Mesmo se nunca tiverem visto um episódio da série, é possível que conheçam alguém que vos tenha tentado vender a ideia de que o deviam ter feito. É ainda mais possível que esse alguém tenha, a certa altura, expressado a sua desilusão com a conclusão desta história - e imagino o alívio que sentiram quando parou de vos tentar vender a série.

Não me querendo juntar a um coro que todos já estão fartos de ouvir: esta temporada foi uma desilusão. Os motivos já foram discutidos vezes e vezes sem conta. Esta temporada traiu narrativas de personagens que tínhamos aprendido a amar, esqueceu/ignorou narrativas que cativavam muitas pessoas e foi tudo muito apressado.

Antes da estreia, defendia que era possível acabar tudo em 6 episódios. Depois do primeiro episódio, estava mais convencida que nunca. O segundo episódio tem cenas que irei estimar para sempre - Sir Brienne e Jenny of Old Stones, se precisam de saber.  Depois do quarto, a minha fé ficou abalada. Comecei a achar que David Benioff e D.B. Weiss tinham sido incrivelmente arrogantes ao achar que conseguiam encaixar tudo em 6 episódios.

Algures num mundo paralelo, o que vimos nesta temporada está dividido em três temporadas. A narrativa da Daenerys não está assente apenas em foreshadowing. Os dragões não morrem apenas por shock value. A Cersei faz mais do que beber vinho. O Jamie e a Brienne não se envolvem apenas para deixar os fãs contentes durante metade de um episódio. A Arya ainda muda de caras. O Jon Snow e a sua herança são mais do que mote para que Kit Harington diga "eu não o quero" ou "ela é a minha rainha". A cena em que Sansa e Arya descobrem essa herança não é cortada. A cena em que Bran conta a sua história a Tyrion também sobrevive ao corte. O Bronn... faz mais sentido,  há mais explicações sobre o Night King, mais intriga política e menos movimentos de cadeiras.

Se a meio do episódio quatro me tivessem mostrado a petição para refazerem a última temporada e esticado uma caneta, teria considerado assinar. Mas, depois de algum tempo para pensar, posso afirmar que não o faria. Qualquer conclusão seria amarga apenas por se tratar de uma conclusão. Os últimos créditos não deixariam ninguém feliz, porque estávamos investidos e habituados a ansiar pelo que vinha a seguir. Mas desta vez... não há "a seguir". Não há "próxima temporada". E enquanto via um episódio a ânsia de ver o próximo era tão grande como a ânsia de saber que não iria sentir mais essa ânsia - quantas vezes é que uma pessoa pode escrever ânsia antes de se tornar irritante?

Posso estar sozinha nisto, mas não gostava de passar por tudo isso outra vez. Acho que cheguei a um ponto deste processo de luto por uma série de televisão em que aceito que o que temos é o que nos deram e nada poderemos fazer relativamente a isso. Sei que isto pode transparecer como uma tentativa de parecer superior e iluminada. Algo como: hey, olhem para mim toda resolvida enquanto vocês continuam a discutir uma série que chegou ao fim. Não é esse o caso.

Ainda mando memes sobre a série em conversas no Instagram. Ainda faço piadas sobre o quão má foi a última temporada. Desiludiu-me e vou falar sobre isso durante algum tempo, porque estou nesse direito. São os copos de Starbucks que ficam esquecidos no meio deste processo de "luto" e sobre os quais, inevitavelmente, temos de falar.

As seis semanas que levaram ao fim de Game of Thrones foi, a meu ver, a implosão de tudo o que gostava enquanto espectadora da série. É raro que uma série seja tão... global. É raro uma série ser partilhada por todos os membros de um grupo de amigos. É raro encontrar tanta gente colada ao mesmo e da mesma forma.

Durante seis semanas, havia um tema de conversa certo, memes e watching parties com os meus amigos. Durante seis semanas, os meus domingos envolveram ficar acordada até à madrugada de segunda, não por medo de spoilers, mas por pura impaciência. Não me lembro de nenhuma outra série que tenha feito algo do género. E não gostava de passar por tudo outra vez, porque seria menos especial do que já foi. Piegas, eu sei.

Tenho a certeza que, eventualmente, encontraremos outra série sobre a qual obcecar colectivamente. Suspeito que os spin-offs serão produzidos rapidamente porque há que capitalizar o fenómeno antes que o seu cadáver fique frio. E, como tal, acho que não serão a nossa solução. Mas posso estar errada, veremos.

Entretanto, Big Little Lies e Handmaid's Tale estão prestes a estrear/já estrearam, mas  sugiram séries. Porque nós precisamos. 

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